quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Rock do Slow Bleeding




Raquel Martins



Surgido na década de 80, o rock’n roll deathcore, uma das variações do heavy metal, conquistou com seu estilo agressivo e contestador vários adeptos em todo o mundo. Suas letras que abordam desde a desvalorização do sentido (niilismo) até a fragilidade da vida humana, faz a cabeça de músicos independentes no Brasil. A banda Slow Bleeding é sua representante aqui na capital.



Formada há um ano por Marcus Vinícius (vocal), Higor Sales e John Dias (guitarra), Matheus Oliveira (baixo) e Guilherme Thé (bateria), os músicos fazem um show primordialmente autoral. “Algumas pessoas fazem coisas que não são legais, esse lado ruim do ser humano eu tento colocar nas letras e no final incentivar a melhorar ou dizer onde essa atitude pode levar”, conta o vocalista. Contudo, também tocam faixas de grupos conhecidos do público do rock, como a banda americana Attila Deathcore.



O grupo faz apresentações em bares e se une a vários músicos para organizar festas e shows comunitários na cidade, além disso, viaja para outros estados a convite de algumas bandas. “Se não forem as bandas se movendo pra fazer algo acontecer, a cena vai só morrendo aqui, enquanto isso, você acompanha lá fora uma cena movimentadíssima e cada vez maior”, ressalta Marcus.



Segundo o vocalista a falta de projetos de incentivo às bandas independentes faz com que o principal meio utilizado para divulgação sejam as redes sociais. Contrariando a cadeia produtiva da cultura brasileira, ainda baseada na competição e repetição que as submetem ao esquecimento, a Slow Bleeding já obteve mais de 3.600 visualizações do seu vídeo no youtube e 274 seguidores no twitter. Alcança cada dia um público maior nos seus shows e finca seu nome no panorama musical de Brasília.

Opções em baixa

Artigo de Warlley Diniz




Brasília realmente representa bem o Brasil e suas contradições. É a cidade com a melhor qualidade de vida do país, porém cercada de um cinturão de pobreza. Tem o segundo maior festival de cinema nacional, mas oferece pouquíssimas opções para quem quer curtir um cinema alternativo, aquele fora do circuito comercial.


Depois que o cinema da Academia de Tênis fechou no ano de 2010, quem mora no Plano Piloto ficou praticamente limitado aos filmes exibidos pelo Centro Cultural Banco do Brasil e pelo Cineclube do Sindicato dos Bancários. Apesar da quase falta de opção, ainda vale a pena buscar novidades cinematográficas nessas salas, já que normalmente a entrada é franca ou tem preços muito acessíveis e o cinéfilo pode fugir das bombas, monstros, tiros e explosões presentes em praticamente todos os filmes em cartaz nos cinemas-shoppings.


Recentemente o CCBB (SCES – Trecho 02) exibiu uma mostra de filmes produzidos na Coreia do Sul, retratando o cotidiano desse país, e ainda outra mostra de composições cinematográficas feitas na antiga república comunista da Thecoslováquia, fazendo com que o telespectador possa conhecer outras culturas.


Já o Cineclube do Sindicato dos Bancários (EQS 314/315) apresentou no último mês de outubro filmes dedicados ao tema dos direitos humanos. Fundado em 2007, o cineclube exibe películas para todos os gostos e predileções, sejam eles de gêneros cinematográficos, antigos ou novos, de arte ou documentários.


O triste mesmo é saber que apesar dos pesares, os moradores da região central de Brasília tem ainda poucas opções, mas têm. Já a imensa maioria da população das diversas cidades-satélites do Distrito Federal tem menos ainda, ou seja, praticamente nada.

domingo, 6 de novembro de 2011

Ritmos a preços acessíveis


Clube do Choro de Brasília traz à capital grandes nomes da música brasileira. Os ingressos também são atrativos.

Ranyelle Andrade

Choro, samba, música instrumental, MPB e jazz. Esses são apenas alguns exemplos dos ritmos que os brasilienses, frequentadores do Clube do Choro, podem conferir durante as apresentações no local. Projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, o clube traz a Brasília nomes consagrados além de revelações surgidas na Capital. Tais características fazem do espaço uma referência quando o assunto é uma agenda cultural repleta de novidades, atrativos e com preços acessíveis.

Com ingressos que variam entre R$ 20,00 (a inteira) e R$ 10,00 (a meia), o Clube conta com uma sala de concertos que comporta até 400 pessoas e já recebeu músicos e bandas como o Grupo Sai da Frente, Sivuquinha, Ivanildo Sax de Ouro e o Grupo Saiabamba. Todas as apresentações fazem parte do Projeto Clube do Choro do Brasil, que espera totalizar 120 apresentações até o fim de 2011.

Segundo a estudante Natália Sacramento, visitante assídua do lugar, o centro cultural traz uma proposta diferente e é o destino ideal para aqueles que gostam de curtir boa música e encontrar gente bonita sem as luzes e barulhos típicos das boates e casas de show. "Sempre olho a agenda do clube antes de sair de casa. Faço questão de privilegiar. Aqui em Brasília são poucos os lugares que oferecem opções de entretenimento como essa. Destaco o Clube do choro, o Museu Nacional e em algumas ocasiões, a Torre de TV", afirma.

Sobre o Clube do Choro
Fundado em 1977, o Clube do Choro de Brasília é berço de grandes feras da música brasiliense e já foi palco de personalidades como o bandolinista Hamilton de Holanda. Nos anos 90, chegou a fechar as portas por problemas financeiros e falta de público mas, graças a um projeto idealizado pelo então presidente da instituição, Henrique Lima, o Reco do Bandolim, o clube voltou a ativa e intensificou sua programação. Recentemente, se tornou Patrimônio Imaterial do Distrito Federal e ganhou uma nova sede que deve estar completamente pronta até o fim deste ano. O espaço multiuso também recebe alunos da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. O centro cultural está localizado na quadra SDC, Bloco G no Eixo Monumental.

Para conferir a programação do Clube, basta acessar o site
http://www.clubedochoro.com.br/.

sábado, 5 de novembro de 2011

As cores e caras da cidade

Sandra Cecília

Em Brasília é comum ver pichações nos ambientes públicos e privados. Em contrapartida há um grande movimento emergente de intervenção urbana, o grafite, que finca raízes nas ruas e trás cores e formas dignas de museus e galerias. Murais que representam a vida dos menos favorecidos, marginalizados ou daqueles que fogem ao padrão imposto pela sociedade moderna e ainda transparecem as dificuldades e sentimentos de uma classe inteira.

Amanda Silva, estudante de 19 anos, grafiteira há 6, acredita que a atividade é um meio de se expressar. " Tudo que eu sinto em relação a arte e não podia manifestar, demonstro através do grafite". conta ela e acrescenta, " Eu quero continuar nesse caminho, treinando, estudando, e o que vier por ele é consequência. Se daqui a algum tempo eu ainda estiver nessa área e podendo me manter, estarei mais que satisfeita", finaliza.

Ao mesmo tempo que hoje o grafite é considerado arte, as críticas ainda partem de todos os lados. Críticas que não são infundadas, já que as fachadas, monumentos, igrejas e tantos outros locais pichados sem nenhum fundamento, estão por toda parte. Além do fato de desrespeitar a privacidade das pessoas ao fazerem pinturas em muros sem a autorização do proprietário.

Para reverter esse problema e aproveitar o aspecto positivo dessas manifestações, atualmente os artistas do grafite tem a oportunidade de participarem de projetos que visam embelezar as cidades. Com isso, espera-se que as pessoas interessadas nessa atividade possam continuar expressando sua arte, mas sem causar prejuízos ao planejamento urbano.

"Participei uma vez de uma exposição do governo, mas foi muito desorganizada, o material que eles cederam não era de boa qualidade o que comprometeu a qualidade do trabalho", relata a estudante. " Parece que, para alguns, o que fazemos não é arte, ainda há preconceito", conclui. Há uma relação bem sensível entre os pichadores e os grafiteiros. Amanda explica essa relação de forma criteriosa, " Os grafiteiros mais antigos, em sua maioria, eram pichadores, e utilizavam isso como uma forma de protesto, então aqueles que eram mais politizados perceberam que se aprimorassem a arte seria mais bem vista pela sociedade."

O Outro Lado

Dona Maria da Conceição Esteves, 46 anos, é moradora da Asa Norte e sofreu muito tempo com a ação dos pichadores. " Eu pintava o muro, não dava dois dias e já estava todo sujo. Um dia apareceram dois rapazes e pediram para grafitar, eu nem sabia o que era aquilo, mas eles me mostraram umas fotos dos murais que haviam feito e eu achei lindo e autorizei". Segundo ela depois que começou a ser grafitado nunca mais picharam.